Anteontem, depois da hora do lanche, que hora tão feliz, o Ministério Extraordinário, Divino, Maravilhoso para Assuntos Fundiários iniciou a implantação do Plano Qüinqüenal de Reforma Agrária no Sítio do Pica-pau Amarelo.
Segundo uma fonte do jardim do Palácio do Planalto, a ideia de começar a Reforma Agrária pelo Sítio tem por objetivo dar o bom exemplo às criancinhas brasileiras. A medida, no entanto, vem gerando polêmica no seio do latifúndio encantado que Monteiro Lobato criou õ-õ-ô!
Tia Anastácia, líder do Movimento Negro no Sítio, deu apoio total à reforma, já que, segundo informou à nossa reportagem, “agora, a nega Anastácia vai pudê tê terra pra prantá uns pé de quindim, uns pé de broa de milho com café e uns pé de muleque, mo fio”. Mesmo assim, Anastácia não conta com o apoio de toda a comunidade negra local, pois o moleque Saci, numa manobra política, passou-lhe a perna, enfiou a carapuça e pulou para o outro lado. O governo está preocupado com a reação dos latifundiários. Marquês de Rabicó e Visconde de Sabugosa, que ameaçam pegar em armas para defender seus títulos de terra e de nobreza. Com tudo isso, a tensão no pedaço tem atingido índices preocupantes no Ibope, e sabe-se até que os lavradores pretendem comemorar a “Reforma da Natureza” com uma grande feijoada, que contará com a presença da orelha, do rabo, da costela, do toucinho e do chispe do Marquês de Rabicó.
A desapropriação das terras encantadas provocou a desagregação da família de Dona Benta, agora apenas Benta, pois já não é mais dona de porra nenhuma, Pedrinha, hoje, ganha a vida fazendo dublagem dos Menudos numa churrascaria e Narizinho foi detida pelos federais na fronteira com a Bolívia.
(Planeta Diário, N° 07. Julho de 1985)









